A volta das guirlandas de Natal - Adília Belotti - Fifties Mais - Getty Images

A volta das tradicionais Guirlandas de Natal


A partir do significado por trás da confecção das famosas guirlandas, a jornalista Adília Belotti sugere uma reflexão sobre o Espírito do Natal.

Um amigo me manda num email um artigo sobre guirlandas de Natal… meu mesmo! Engraçado, foi escrito há tanto tempo que não me reconheço mais nele. Fui ler, não gosto tanto assim dessas coisas que voltam, o que escrevo lanço ao vento, outros que encontrem, não é mais meu… No entanto, descobri que ainda faz sentido, tudo, as guirlandas, a prece, ainda gosto tanto dessas mandalas vivas e verdes!

Por isso, conto a história de novo…

Tradicionalmente, para os cristãos, os quatro domingos antes da celebração do nascimento de Jesus Cristo são um tempo de espera e de preparação: o tempo do Advento. A palavra, que vem do latim, quer dizer “chegada”, “aparecimento” e sugere mesmo uma expectativa diante de algo que está prestes a começar, alguma coisa nova. Em muitos países, essa época é pontuada por rituais e pequenas celebrações. Gestos que servem para ajudar a lembrar que, além de preparar a casa, montar a árvore, organizar a festa, a gente deveria também preparar a alma para o Natal.

Por isso eu gosto de montar uma guirlanda de Advento. Essa é uma tradição muitíssimo antiga. Nasceu onde hoje é a Alemanha e a Escandinávia. As pessoas recolhiam folhas de pinheiro em pleno inverno porque eram as únicas que permaneciam verdes. Com elas, preparavam uma guirlanda que refletia a esperança do retorno do Sol, depois da escuridão do inverno. O formato circular simbolizava o ciclo anual das estações do ano. E velas eram colocadas ao redor, cada uma guardando a promessa de luz e de renovação da vida. Na Escandinávia, mesmo em tempos pré-cristãos, era costume dispor velas em um círculo e acendê-las, as preces eram dirigidas ao deus da luz e pediam que ele fizesse girar a “roda da terra” de volta em direção ao Sol, para que os dias voltassem e a longa noite fosse embora…

Se você fizer uma guirlanda de Advento, a cada domingo acenda uma das velas: são quatro, em geral, três cor de púrpura, a cor da espiritualidade e uma rosa, para o terceiro domingo, que é reservado para celebrar a alegria. No meio, você pode colocar uma vela branca que só vai ser acesa no dia de Natal. Para os cristãos, é ela que simboliza Cristo, a Luz do Mundo. Mas nada impede que você use outras cores. Aliás, as cores do Natal já são, em si mesmas, simbólicas. Vermelho, a cor do fogo, do sangue, da carne e, por conta disso, das paixões, dos impulsos, do amor; na China, o vermelho era considerado a mais feliz de todas as cores… Verde, a cor da Natureza e, para estes povos sempre friorentos, a cor da esperança, da fertilidade, da vida, da abundância e, sobretudo, da renovação… Minha guirlanda é sempre verde e branca, com uma vela vermelha no centro e figurinhas coloridas dançando em volta…

Faça uma prece antes de acender cada vela ou, simplesmente, deixe o coração ficar, assim, tranquilo, apaziguado, esperando. Imagine que cada uma representa um aspecto do Espírito de Natal, essa coisa que a gente quer tanto e que parece tão difícil de conseguir: paz, esperança, alegria e generosidade. Dizem que as velas devem queimar até o final, o que seria, afinal, uma boa oportunidade de exercitar uma certa quietude e permitir-se contemplar a chama até ela extinguir-se… não tem tempo? Não faz mal, a gente às vezes precisa só de poucos minutos para nutrir a alma…

Navegando na Internet, encontrei um artigo muito lindo sobre o significado do Advento, de uma escritora luterana chamada Jean M. Blomquist. E a prece que ela faz ao acender as velas é tão simples, quanto cheia de mistérios:

Deus,
Abra meu coração
Abra meus olhos
Aquieta-me em teu silêncio sagrado

E então, com a alma assim preparada, talvez seja mais fácil não deixar escapar o Espírito de Natal, mesmo estando há horas no meio do trânsito, mesmo driblando a multidão no caos dos shoppings centers lotados ou mesmo correndo para tentar fazer desse Natal, mais uma vez, a melhor época do ano.

Como você se prepara para o seu Natal?

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3 comments

  1. Engraçado mesmo, lidar com refer6encias do pssado.
    Achei uma guirlanda comprada há dois anos atrás, ainda nova, feirta de flores confeccionadas a partir de latas usadas. Politicamente muitíssimo correta, mas neste momento sem me dizer nada, além disso.

  2. As fantasias de Natal são mesmo lindas. Cristãos e não-cristãos acabam curtindo a festa pelo aspecto da reunião, do encontro. Outro dia me chamou a atenção uma matéria que dizia que os pais viviam conflitos para revelar a “verdade” sobre Papai Noel a seus filhos. O conflito de uma mãe era que ela achava a vida real tão dura e não queria entregar o filhote às feras antes do tempo. Pensei comigo: que tontaliça! Ela vai acabar passando pro filhote a idéia de que a vida é uma droga pesada e que fantasia só é coisa de criança bobinha. Quando criança, eu tinha medo de Papai Noel. Mais tarde acompanhei na família do meu sogro um jeito leve e divertido de valorizar a tradição sem tratar a criança feito imbecil. Ele, meu sogro, se fantasia de Papai Noel todos os anos. Os netos acompanham a fantasia de perto. Os menores acreditam no que vêem, os maiores se fantasiam de ajudantes, pequenos papais noeis e participam da farra. Os menores não precisam ter a fantasia preservada. Uma sobrinha minha, depois de sentar no colo do Papai Noel do shopping, disse pra mãe: depois eu quero conhecer o de verdade mesmo, tá mãe.

  3. Durante toda minha infancia, vi na casa de meus avos, a guirlanda de advento.Quatro velas, um para cada semana antes do natal.
    E um calendario enorme, com 1 janelinha para cada dia de dezembro, que eram abertas uma a uma, nem pensavamos em abri-las antes pra dar uma olhadinha no dia posterior.
    Havia os doces nos sapatos em 6 de dezembro, na dia de São Nicolau, que preservamos ate hoje na familia.
    Na noite de natal ouviamos muitas musicas de Natal, e precisavamos ficar em silencio, por mais tempo do que aguentavamos! Havia mensagens e poemas e reflexões ditos pelos adultos.
    Enfim, esse espirito de Natal durava quatro semanas, quando se preparava a alma a espera do grande dia.
    Eu tinha a impressão que os nossos Natais eram diferentes dos natais de nossos amigos, pois se cultivava um ritual, o espirito e a união dos familiares, e não somente uma entrega de presentes.
    O pinheiro é a arvore usada, porque era o que tinha verde,no inverno da Europa, como voce comentou sobre as guirlandas.
    Bom espirito de Natal pra todos!!!!

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