50+ na internet: dicas para uma boa convivência

A internet não é terra de ninguém e existem regras de boa convivência para serem seguidas. Confira nossas dicas e aprenda a navegar com elegância e educação pelas malhas da rede.

“A internet é um campo aberto, muito pouco explorado. É preciso arriscar, o espaço aqui é livre”, disse Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, no final do evento Web 2.0 Summit, realizado em 2010, na Califórnia. Mal sabia ele que nos anos seguintes as redes sociais ganhariam força e iriam viralizar entre os usuários de internet – e a adesão não seria apenas de adolescentes e de geeks, ao contrário, os maiores de 50 participam cada vez mais desse “campo aberto”!

Uma pesquisa feita em 2015 pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) entrevistou pessoas a partir de 60 anos e constatou que cerca de 50% delas usam as redes sociais, sendo que 39% o fazem diariamente. A rede mais acessada é o Facebook, com 77%, o WhatsApp, com 73%, e o YouTube, com 40%.

A psicóloga Paula Biazús, focada em interações humanas, explica que vivemos em uma época mediada pela virtualidade e que devemos ter conhecimento e responsabilidade no uso das tecnologias. “Temos que considerar que parte dos adultos na faixa dos 50 anos não foi educada convivendo com esses meios de comunicação, portanto algumas dicas para eles são essenciais e a premissa básica é a manutenção do respeito, já que aquilo que é registrado na rede mundial de computadores permanece, ainda que deletemos seu conteúdo”, diz.

O primeiro conselho é: cuidado com a sua privacidade. Dependendo de como você configurou o seu perfil nas redes, pessoas que você não tem adicionadas podem ter acesso aos seus posts, fotos e até informações pessoais como endereço ou telefone (o ideal é não colocar esse tipo de informação nem para seus amigos). Você também pode bloquear usuários que estejam incomodando e controlar as publicações em que as pessoas marcam seu nome. Para configurar todos esses tópicos, mantenha seu perfil privado acessando as “configurações” (no Facebook, fica no topo, à direita) em qualquer rede. O ícone que parece uma roda sinaliza ‘configurações’ em outras redes e no celular, por exemplo.

Respeite as outras pessoas. Você pode ter família, amigos e colegas de trabalho adicionados que podem postar algo com que você não concorda. A internet é pública e os usuários costumam compartilhar suas opiniões em seus perfis, o que não significa que você precise necessariamente ir discordar em todos os posts de alguém, gerando atritos e fofocas. “Estamos em uma época de superexposição e de muitos constrangimentos no meio virtual, onde discussões que ocorrem nas redes são transportadas para o convívio familiar ou social, arriscando fragilizar as relações entre as pessoas”, explica Biazús, enfatizando que evitar conflitos é primordial para uma convivência harmoniosa na internet. Se você achar necessário, exclua a pessoa – o que conta é preservar sua paz e não se meter em discussões e atritos inúteis e tantas vezes ofensivos!

Cuidado com o que você posta. Assim como você pode não concordar com o conteúdo que seus amigos andam postando, eles também podem achar ruim o que você posta. Reflita sobre seus conteúdos, veja se não estão causando mal estar, incomodando ou ofendendo alguém. Além do mais, há várias maneiras de tornar-se um chato na internet, como, por exemplo, só falar de si mesmo, compartilhar a todo segundo o que está fazendo, postar infinitas fotos dos filhos e netos durante o dia, curtir suas próprias postagens e até mesmo comentar em todos os posts de alguém que você tenha (ou não) adicionado. Antes de agir, pense se é mesmo necessário. “As redes sociais devem ser válidas para todas as idades e o foco precisa ser um espaço de trocas entre as pessoas, diversão. Evitar situações de saia justa é primordial para uma convivência harmoniosa nestes sites”, orienta Paula Biazús. Bom senso é imprescindível!

Preste atenção no que você vai clicar! O conselho é evitar clicar em anúncios duvidosos que aparecem na tela para que o computador não seja atacado por algum vírus. “Para prevenir golpes ou coisas do tipo, aconselho a não compartilhar dados pessoais como contas bancárias, senhas, endereços e horários, visando o que chamamos de segurança digital”, diz Biazús. Quando você precisar acessar o site do seu banco, a sugestão é usar a “guia anônima” do seu navegador, que não rastreia seu endereço de IP e não salva seus dados.

Cuidado para não expor seus filhos e netos a situações constrangedoras. Quando você inicia uma conversa na sua linha do tempo com algum parente, todas as pessoas associadas à sua conta podem vê-la. A dica é não iniciar conversas de cunho particular em modo público e não postar coisas nos perfis dos seus parentes que poderão constrangê-los – use o “inbox” ou “mensagens”, onde as conversas são privadas e somente você e o(s) destinatário(s) têm acesso! “É essencial conversar com familiares antes de postar alguma foto que possa deixá-los embaraçados, evitar comentários muito íntimos em público, coisas que podem expor desnecessariamente os envolvidos”, explica a psicóloga. “No caso de conversas particulares, se a sua questão é com Maria, resolva com Maria ou com quem possa transmitir diretamente a ela o seu recado”, aconselha.

Confira a veracidade da informação que você está compartilhando. É sempre essencial conferir se o que você está compartilhando vem de um site seguro e se é verdade. Não apenas para evitar ficar espalhando notícias e informações falsas, mas também porque isso também pode comprometer a sua segurança. “Cuidado com compartilhamento de notícias falsas”, aconselha Paula, “o que chamamos de “hoax”, ou o acesso a sites não verificados, pode inclusive comprometer a segurança dos aparelhos como notebook, celulares e tablets, não apenas o seu, mas o dos outros”, conclui.

Paula Biazús é psicóloga clínica e especialista em psicologia organizacional e do trabalho.

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