Ioga depois dos 50

O ioga é, originalmente, uma prática nascida há cerca de cinco mil anos na Índia Antiga. A palavra vem do sânscrito e é originária da raiz verbal “yuj”, que significa unir, integrar e totalizar. No Brasil não há dados atualizados do número de praticantes, mas não precisamos ir muito longe para observar como a atividade atrai milhares de fãs! Só nos Estados Unidos, por exemplo, são cerca de 36 milhões de adeptos. A eficácia do ioga é tamanha que, em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou o Dia Internacional do Ioga, comemorado todo dia 21 de junho por milhões de pessoas ao redor do mundo que se juntam e realizam sessões com o objetivo de acalmar a mente e exercitar o corpo.

Inúmeras pesquisas mostram que o ioga atua não somente no corpo físico, mas também no mental, e é altamente recomendado para adultos mais velhos. Ele une elementos físicos e espirituais, trabalhando na ligação com o nosso “mundo interno”. São diversas técnicas que trabalham postura, equilíbrio, flexibilidade, respiração, meditação e concentração. Mas antes de começar a praticar ioga, é importantíssimo consultar um médico para uma avaliação de restrições em relação a determinadas atividades. Já consultou? Então agora é hora de praticar!

Relaxa e gera uma sensação de bem-estar. A meditação é uma das formas mais recomendadas para estabelecer um equilíbrio interno. “A mente não tem idade e o ioga também diz respeito ao estudo profundo dela”, diz Juliana Barranco, praticante e professora de ioga. “A meditação ensina a respirar de maneira adequada, a relaxar, trazendo um bem- estar ao longo do dia e um sono restaurador à noite”, afirma.

Trabalha a visão de mundo. Conforme o praticante vai frequentando as sessões, ele passa a se conhecer mais, se entender, olhar para dentro de si mesmo e enxergar seus defeitos e qualidades. “Já dizia um dos grandes mestres do ioga, Chagdud Tulku Rinpoche, que o mundo não é uma janela , mas sim um espelho. Quando julgamos alguém, vemos que estamos enxergando o mundo como uma janela e estabelecemos uma separação entre nós e os outros. Mas quando desenvolvemos a capacidade de entender nossa mente, iniciamos um diálogo com nossos velhos hábitos e passamos a enxergar a vida como um espelho, entendendo que o que quer que surja é um reflexo do nosso mundo interno”, explica Juliana.

Fortalece os ossos. Tenha em mente que ioga não é “coisa de academia”. A prática voltada para os maiores de 50 oferece exercícios leves que trabalham discretamente diversas partes do corpo. Para fortalecer os ossos e evitar rupturas e lesões, o ioga ajuda a fortalecer e sustentar melhor os músculos, diminuindo a incidência de acidentes e fraturas.

Reduz a dor nas costas. Essa dor pode ser causada tanto pela má postura e problemas na coluna quanto por tensões e preocupações excessivas. Os exercícios de ioga, além de melhorarem a mobilidade, trabalham essa tensão e a postura do praticante, consequentemente reduzindo o incômodo.

Previne contra quedas. O ioga não se resume só a sentar, fechar os olhos e meditar! Os exercícios mexem com todas as partes do corpo, dos pés a cabeça, melhorando a flexibilidade e os fortalecendo até os pés. Existem posturas específicas inclusive para os olhos. O objetivo é manter a retina saudável e preservar a vista do praticante. Isso sem falar nos joelhos, nas articulações, na coluna vertebral. Toda a técnica é focada em proporcionar conforto, melhorar a postura e oferecer mais equilíbrio.

Ajuda a combater a ansiedade e a depressão. Quem precisa lidar com transtornos psicológicos diariamente pode encontrar conforto no ioga, graças aos exercícios de meditação e de controle da respiração. Eles proporcionam uma sensação de bem-estar e de calma, ajudando na diminuição do estresse e no controle das preocupações excessivas.

Diminui a pressão arterial. Adultos a partir dos 50 eventualmente acabam tendo que administrar a pressão arterial alta que pode causar sérios danos à saúde. O ioga contribui para a diminuição da produção de cortisol e adrenalina, que são os hormônios responsáveis pelo estresse e, com isso, também é um auxiliar no controle da pressão .

Melhora a concentração e a memória. Estudos comprovam que meditar melhora as capacidades cognitivas devido à redução dos níveis de ansiedade e estresse. A partir daí, a capacidade de concentração apresenta uma melhora e também beneficia a memória, que costuma ser uma pedra no sapato da turma da terceira idade. Como a meditação é uma das práticas essenciais do ioga, você também pode incluir esse benefício na sua lista.

Se interessou? Que tal começar a meditar já? A professora Juliana Barranco recomenda um exercício de meditação para iniciantes bem leve. Confira:

1. Sente confortavelmente em uma cadeira e deixe a coluna o mais ereta possível;
2. Feche os olhos, tranquilize seus pensamentos e relaxe seu corpo;
3. Agora leve sua atenção para a respiração. A cada pensamento que surgir, foque pacientemente sua atenção na inspiração e expiração;
4. Sinta suas narinas e o ar entrando por elas enchendo seus pulmões e expire. Concentre-se na sensação do ar se esvaindo de seus pulmões pelo nariz;
5. Mantenha-se assim por mais alguns ciclos e esteja presente ao inspirar e expirar;
6. Quando estiver bem concentrado na respiração, é hora de ampliar um pouco mais a meditação. Passaremos agora para a meditação do amor universal;
7. Imagine que há um espelho em sua frente e recite mentalmente essas quatro frases: “que seja feliz”, “que ultrapasse o sofrimento”, “que encontre as causas da felicidade” e “que supere as causas do sofrimento”;
8. Agora imagine sua mãe (ou a pessoa que cuidou/cuida de você) à sua frente e repita as frases;
9. Por fim, visualize nitidamente alguém que você não tenha uma boa relação. Imagine que essa pessoa está sentada à sua frente e recite as frases. Sinta as emoções que vierem, fale de coração, verdadeiramente, quantas vezes forem necessárias;
10. Por fim, relaxe e libere a mente. A sensação de relaxamento é instantânea.

Boas práticas!

Juliana Barranco é praticante e professora de ioga formada pela Universidade Internacional de Yoga e pela Federação de Yoga do Estado de São Paulo (FYESP).

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