Este artigo é parte do Clube dos Escritores

Aceita um maracujá? Por Sylvia Loeb

 

 

 

O mundo cinza, as cores opacas, a comida sem gosto, o corpo adormecido.
Despejou três vidros de Frontal na palma da mão, engoliu a metade, levou dois dias e meio pra acordar.
Não tinha gás para aspirar, cortado por falta de pagamento.
Não tinha carro para aspirar monóxido de carbono.                                            

Ouvia Gloomy Sunday  três vezes por dia, conhecida como
“a música húngara suicida”, relacionada a pelo menos 100 casos de suicídio,
incluindo o do próprio compositor, Rezsõ Seress. Quando ouviu a
Sonata
Moonlight
de Beethoven, achou mais triste ainda, mas era tão linda que voltou
para
Domingo Sombrio, tradução da canção húngara.

Um dia, viu uma flor de maracujá.
Arrepiou todinha.
Meteu o nariz dentro, a boca encheu de água, mordeu o miolo, mastigou  e engoliu.

 

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SYLVIA LOEB – É psicanalista e escritora. Visite seu site, acesse sua página no Facebook ou escreva para o email [email protected]!

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