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Efeito Pilar

A personagem Pilar, vivida pela atriz Suzana Vieira, deixa saudades com seus vestidos justos, curtos, os longos cabelos loiros, brincos vistosos, imagem de mulher desabrochada, desejosa, plena de amor à vida.

As Pilares brotam em vários lugares: nos shoppings, nas ruas, nos supermercados, nos teatros, nos cinemas, nos bares e restaurantes. Mulheres maduras, que pelas roupas, pelo modo de andar, pela postura do corpo avisam que estão disponíveis aos olhares e ao desejo dos homens. Corpos cheios, plenos de promessas, livres do preconceito da idade, livres da tirania da juventude, da discrição das mulheres esbeltas vestidas com um pretinho básico, indispensável em qualquer closet.

 

Pilar, a personagem vivida por Suzana Vieira, na novela Amor à Vida, tem mais para ensinar às mulheres do que parece/Crédito: reprodução revista Contigo
Pilar, a personagem vivida por Suzana Vieira, na novela Amor à Vida, tem mais para ensinar às mulheres do que parece/Crédito: reprodução revista Contigo

As nossas Pilares preferem os pretinhos justíssimos, detalhes de oncinha, sandálias que lhes elevam a altura com saltos agulha ou plataformas estonteantes e tiras que lhes trançam as pernas. Longe da estética menos é mais, optam pelo mais é muito mais: esmalte escarlate emanam de longas unhas, na cabeleira, lua platinada, a tez tingida pelo sol ou pelos banhos de luz artificial.

A pele, não mais invólucro de corpos jovens, não impede nossas Pilares de mostrarem braços e costas em amplos decotes de seios renovados que sustentam bijuterias ofuscantes. O andar sinuoso, o sorriso amplo, o jogo dos cabelos, as saias rodadas que substituem as roupas justas em dadas ocasiões, evocam as meninas que foram.

Quais serão as fantasias que impulsionam nossas Pilares? Por que a recusa de abandonarem o ideal  de mocinhas?

Sabemos que nossa própria imagem vista no espelho ou no espelho do olhar do outro pode nos levar aos céus ou nos precipitar em um buraco sem fundo. Basta observar os adolescentes ao passarem diante de qualquer superfície que reflita sua imagem: se se sentem belos, e na maioria das vezes o são pela juventude que emanam, ficam capturados pelo que veem: beleza, graça.

Sabemos também que com a passagem do tempo nossa imagem refletida não nos devolve mais aquele deslumbramento de outros tempos. Acontece algumas vezes que nossa imagem refletida nos pregue um susto: aquela que vejo não corresponde ao que sinto nem ao que me imagino. Acontece também que com o passar de mais tempo, deixamos de olhar nossa imagem ao espelho, ou a olhamos rapidamente, de soslaio.

Será que nossas Pilares se recusam a ver o que acontece a todos, a passagem inexorável do tempo, com seu rastro de destruição da forma? Defesa, recusa de aceitar a realidade, autoengano?

E daí?

Podemos quase afirmar que criam outra realidade que lhes traz alegria, autoestima e o grande prazer de se olharem. Será que é pouco? Nossas Pilares transformam sua imagem em obra de arte, superfície para ser olhada e admirada. Se logram ou não a captura e admiração dos outros, não importa. Há muitas obras de arte de que não gostamos, que nos causam repulsa ou indiferença. Se é arte ou não, também não importa, dado que este conceito é discutido desde sempre.

Belíssimas Pilares, ligadas à vida, na alegria e na tristeza, no riso e nas lágrimas, no amor e na solidão, o amor à vida as retira de um ocaso triste e vazio, politicamente correto, regido pela elegância conservadora e restritiva, e pelo preconceito.

Um jato de perfume de jasmim nessas mulheres maravilhosas, uma taça de champanhe às recentes Pilares!

A ficção imita a vida, Pilar/ Suzana Vieira, assumida na sua feminilidade incansável; na novela Amor à Vida, casa-se com o motorista musculoso e gentil. Na vida acabou de se separar de um homem muito mais jovem do que ela.

Fim do mundo?

Não, a vida chama, e assim teremos nossa Suzana /Pilar, já ensaiando para uma nova história, de shortinho e salto alto, na escola de samba Grande Rio.

 

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