Atenção, os parâmetros para avaliar as taxas de colesterol mudaram

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2014 18,4 milhões de brasileiros, aproximadamente 12,5% da população, têm colesterol alto. A prevalência foi maior entre as mulheres: 15,1% contra 9,7% de homens. E o mais perigoso, conforme avaliação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) 67% das pessoas desconhecem os valores atuais de colesterol no próprio organismo.

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, em 8 de agosto, diversas entidades médicas realizaram ações para lembrar as pessoas da importância do cuidado com as taxas desse tipo de gordura. O que muitos não sabem é que, justamente por essas taxas estarem tão altas, a SBC trabalhou em novas mudanças nos parâmetros usados pelos médicos para medir o problema: os valores ideais de referência para colesterol “bom”, “ruim” e total foram alterados.

A seguir, o que muda nas regras e outras informações importantes sobre colesterol.

Antes de mais nada, o colesterol também é bom! Para resumir, o colesterol é uma substância gordurosa natural do seu corpo que tem o papel vital de manter cada célula funcionando corretamente. Aproximadamente 70% dele é produzido pelo nosso próprio organismo e ele faz parte da estrutura das membranas celulares, estando presente no coração, fígados, cérebro, músculos, intestinos, nervos e pele. Esse é o chamado colesterol “bom” (HDL), que forma uma classe de lipoproteínas que ajudam a carregar o colesterol “ruim” de dentro das artérias e transportá-lo ao fígado para ser excretado. Já o colesterol “ruim” (LDL), quando presente em grande quantidade no organismo, pode provocar o entupimento das artérias e levar a uma aterosclerose (inflamação no interior dos vasos sanguíneos), responsável por problemas cardiovasculares como infartos e derrames (AVCs).

O colesterol “ruim” vem dos outros 30% do seu corpo e é diretamente influenciado por uma dieta alimentar inadequada e excesso de peso, até a outros fatores de risco como diabetes, tabagismo e pressão alta. Quando presente em grande quantidade no organismo, o LDL pode provocar o entupimento das artérias devido ao acúmulo de gorduras, dificultando o fluxo sanguíneo ou até mesmo obstruindo esta passagem, causando problemas como infartos ou derrames. O mais preocupante é que o colesterol ruim não apresenta sintomas, como uma gripe ou um resfriado. Não dá dor no corpo, dor de cabeça, tosse ou qualquer outra coisa, e é aí que mora o perigo: a doença só pode ser diagnosticada por meio de exames de sangue.

Uma pessoa pode manter uma dieta rica em gorduras e o nível de colesterol ruim (LDL) no sangue ser baixo porque seu fígado consegue eliminar o excesso adequadamente. Por outro lado, outra pessoa pode se alimentar saudavelmente e ter níveis altos de LDL porque o organismo não elimina bem as gorduras. O acúmulo de muita gordura nas artérias coloca pressão no coração e faz com que ele trabalhe em dobro para bombear sangue pelo corpo, aumentando o risco de doenças cardíacas. Mas existem fatores fora do nosso alcance que influenciam no colesterol alto: sexo, idade, histórico familiar, inatividade física, obesidade, diabetes e tabagismo. Você sabia que 65% do nível de colesterol medido no sangue tem relação com a sua genética? Se você se encaixa em algum desses fatores de risco, realize o exame de dosagem com mais frequência!

Novos valores nas taxas de colesterol*. Por conta do alto índice de vítimas do colesterol, o Brasil passou a ser o país mais rígido nos valores da doença, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. As taxas para quem tem risco cardíaco muito elevado foram alteradas e são enquadradas nesse grupo aqueles que tiveram infartos, derrames ou amputações por doença nas artérias, por exemplo. Na prática, os exames de colesterol agora vão indicar quais os valores de referência de acordo com o risco dos pacientes.

Entenda o que mudou:

– Antes, o nível de colesterol ruim (LDL) para pessoas de grupos de alto risco era abaixo de 70 mg/dl e agora abaixou para 50 mg/dl – mas quem não apresenta fatores de risco pode ter o índice de até 130 mg/dl.
– Já o índice desejável de colesterol bom (HDL), antes, era acima de 60 mg/dl e agora mudou para acima de 40 mg/dl.
– As novas regras mudam ainda o colesterol total: antes o valor considerado desejável era abaixo de 200 mg/dl – agora é abaixo de 190 mg/dl.
– Em relação a exigência de jejum para exames de sangue, antes era necessário que você ficasse 12 horas sem ingerir nada. Agora, essa regra não existe mais e o jejum ficou para trás.

Existem várias formas de prevenir e até mesmo combater o colesterol elevado. Você pode começar, por exemplo, deixando a vida sedentária de lado e apostando em exercícios físicos como natação, bicicleta com a família ou futebol com os amigos – o importante é se mexer! Só assim seu corpo vai se adaptando aos novos ritmos e as taxas de colesterol começam a reagir. Também aposte em mudanças na alimentação: evite comidas ricas em gordura saturadas e trans, encontrada, geralmente, em produtos de origem animal, como leite e seus derivados. Dê preferência para os laticínios magros, que são menos calóricos e baixos na porcentagem de gordura, mas sempre procure seu nutricionista para descobrir qual o estilo alimentar mais adequado para o seu organismo. O cigarro também ajuda a aumentar o nível de LDL no sangue, posteriormente podendo ocasionar infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares. Se possível, deixe o tabagismo de lado e vá em busca de uma vida mais saudável!

Evidentemente, casos mais graves, exigem medicação específica e só o médico pode prescrever o tratamento mais adequado.

Você sabia? Para ajudar os médicos a identificar os pacientes que se enquadram nos grupos de risco, a SBC lançou um aplicativo gratuito que permite que o profissional preencha dados com a idade do paciente, doenças crônicas e eventos prévios como infarto e AVC. Assim, o médico vai poder determinar em qual grupo de risco a pessoa está e conferir qual o valor de colesterol considerado ideal para ela. Praticidade unindo-se à tecnologia!

*Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia por meio de uma atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose.

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