Bike para maiores

“Bicicleta: veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.” É isso o que diz a lei nº 9503, de 1997, que garante os direitos e deveres dos ciclistas.

Andar de bicicleta tem muitos benefícios: não polui a atmosfera, promove a liberação da endorfina, que gera uma sensação de bem-estar, tranquilidade, conforto e alegria, reduzindo o estresse e fazendo um bem danado para a saúde física e psicológica e é um exercício de baixo impacto, o que é considerado um bom argumento para os maiores de 50. Mas, claro, existem precauções a tomar, sobretudo se você tem mais de 50 e a última vez que pedalou foi quando tinha 12 anos: para começar ou recomeçar a praticar, é necessário respeitar o seu condicionamento físico e ter conhecimento das regras de trânsito e segurança pessoal.

Escolha o modelo ideal de bike para você. Não é mito! Existe mesmo a bicicleta ideal para cada tipo de pessoa. Ao sair para ir comprar uma bike, você deve ter ciência do seu peso corporal e da sua altura, e, além de levar em consideração o modelo que mais lhe agrada, precisa decidir em que tipo de terreno ela será utilizada. O funcionário da loja pode ajudar a selecionar os modelos mais adequados.

Leve em consideração o seu condicionamento físico. A profissional de Educação Física, Flavia Cristina da Silva, explica que é importante consultar um médico antes de começar a pedalar para saber o quanto seu corpo aguenta se esforçar. “Primeiramente a pessoa deve realizar exames clínicos para descobrir se não há nenhum impedimento e, caso haja – ou não – algum impeditivo para a prática”.

Respeite os limites do seu corpo. O ACSM (American College of Sports Medicine), a maior organização de ciência de esportes e exercícios do mundo, afirma que uma pessoa ativa precisa realizar atividades físicas por, pelo menos, 150 minutos por semana. Mas e se a pessoa não tiver costumes de praticar exercícios? “Um adulto mais velho pode ter um condicionamento físico melhor do que um jovem sedentário de 20 anos, mas isso depende do histórico de vida de cada corpo, se ele é ativo ou não nos exercícios”, declara Silva. Portanto, para evitar problemas, respeite seus limites e evite as comparações, faça tudo no seu tempo. Cada organismo tem seu próprio timming para se acostumar com os exercícios. A regra mais importante é: cansou? Pare e descanse… Outro detalhe importante. Não tente fazer mais esforço do que o necessário no início. Use as marchas para deixar a bicicleta leve e evite subidas. Dê um tempo para seus joelhos se acostumarem ao exercício.

Antes de sair de casa. Alimente-se, leve uma garrafinha com água para se hidratar, lembre-se de levar chapéu ou boné e de passar protetor solar.

Alongue-se antes de subir na bike! Pronto para começar? Não se afobe. Um alongamento prévio para o início de adaptações fisiológicas, segundo Silva, é essencial para que o corpo entenda que está prestes a realizar atividades físicas. Além de alongar, a especialista recomenda “fazer um trabalho de fortalecimento muscular de membros inferiores, do core [músculos abdominais, da região lombar, pelve e quadril] e membros superiores. Isso ajuda a melhorar o equilíbrio, a flexibilidade, a força e a estabilidade”. Uma série básica de exercícios de alongamento, e de abdominais, ajuda a evitar que você se machuque. Ficou na dúvida? Converse com um profissional ou com seu médico para receber orientações mais específicas.

Bicicleta também é veículo! E isso quem diz é a lei, que reforça que um ciclista deve respeitar os semáforos assim como qualquer outro veículo, por exemplo, estejam eles nas ciclovias ou nas vias normais. Além disso, a circulação de bikes deve ocorrer obrigatoriamente em ciclovias, ciclofaixas ou acostamento. Quando não for possível a utilização destes, as bikes devem andar nas margens das pistas, no mesmo sentido da circulação dos carros. Conduzir bicicleta em locais que não são permitidos, como calçadas, é considerado infração média e pode dar multa! Se tiver algum receio, informe-se sobre os Bike Anjos no site da Vá de Bike. São bikers experientes que se oferecem como voluntários para ajudar quem está começando. (http://vadebike.org/bike-anjo/)

Existem equipamentos obrigatórios para a utilização da bike. O CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) estabeleceu que ciclistas devem instalar em suas bikes campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo. Capacete, joelheiras e cotoveleiras não são obrigatórios por lei, mas são altamente recomendados para a proteção do corpo do ciclista. “Esses equipamentos de segurança, em uma queda, podem prevenir e evitar escoriações, farturas e luxações”, orienta Flavia.

Ciclovia, ciclofaixa e ciclorrota. Você sabe a diferença? A ONG Vá de Bike, que ajuda e incentiva quem está começando a andar de bike, explica: ciclovia é um espaço segregado para o fluxo de bicicletas, onde há uma separação física, como muretas, por exemplo, isolando os ciclistas dos demais veículos; ciclofaixa é quando há apenas uma faixa pintada no chão, pode ser nos cantos das vias, no meio, mas não há separação física, como cones ou cavaletes, que isolam os ciclistas; e a ciclorrota, que ainda está sendo implantada e é desconhecida por muitos, é um caminho mapeado ou sinalizado com placas para ajudar no deslocamento dos ciclistas, onde não há uma faixa da via ou um trecho segregado para eles.

Flavia Cristina da Silva é professora de Educação Física e coordenadora pedagógica.

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