Este artigo é parte do Clube dos Escritores

Eu e Nietzsche,
por Sylvia Loeb

 

 

 

Sou nietzschiana.
Acima de tudo acredito na verdade, mesmo que não consiga suportá-la.
Concordo com o filósofo quando afirma que temos inveja dos mestres.
Que somos como cachorros que mordem a pedra quando ficamos remoendo, ininterruptamente.
Que é idiota o homem que se imagina completamente virtuoso.
Concordo com todos seus aforismos.

Enfim, Nietzsche é meu mestre, meu guia, meu guru.

A única discordância é que tenho absoluta certeza de minhas virtudes, não sou idiota nem tola, como pensaria Nietzsche.

Também não concordo que os apaixonados sejam palermas, se é pelo o amor ao destino que  o homem se realiza, como afirma o grande filósofo!
O destino acabou de me presentear com o grande e definitivo amor de minha vida.
Ora, um pouco de crença no destino não faria mal a Nietzsche!

Também  discordo que o  homem de conhecimento deva ser capaz não apenas de amar seus inimigos, mas também de odiar seus amigos.
Ora, um pouco de amor cristão não faria mal a Nietzsche!

No mais, concordo com tudo, ele é meu mestre, meu guia, meu guru.

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SYLVIA LOEB – É psicanalista e escritora. Visite seu site, acesse sua página no Facebook ou escreva para o email [email protected]!

3 comments

  1. Autora brinca com paradoxos, os aforismos são sábios, o filósofo é genial, ter mestres e gurus se equivale e contraria “ser nietzschiana”. Diferentemente de fábulas morais aqui não há moral, ou mensagem, e para nós? Como viver nossa vida do dia a dia? Com aforismos?

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