Como desacelerar até o Natal - adília belotti - o melhor dos 50 - saúde e bem viver

Como desacelerar até o Natal

Tá com pressa? E quem não está?! Para domar essa fera, vale pedir ajuda a estudiosos dedicados a salvar todos nós da vida louca desse século. O final do ano parece um bom momento para pensar no assunto, já que o pré-Natal nos presenteia com uma dose extra dessa sensação de que a vida escorre por entre os dedos, nos roubando o direito de aproveitar cada minuto das 24 horas de cada dia.

O sociólogo alemão Hartmut Rosa, que se debruçou sobre o tema, afirma que o excesso de atividades anulou os ganhos que a tecnologia trouxe, e tirou dela o mérito de multiplicar o tempo das pessoas. Parece que quanto mais a tecnologia avança, mais ocupados nos tornamos. O resultado, acrescenta esse professor citado em reportagem do jornal Valor, é uma epidemia de estresse, ansiedade e insônia. Reconhece o cenário?

Para Rosa “viver intensamente se tornou quase uma obrigação e isso significa realizar o máximo das infinitas possibilidades que a vida contemporânea oferece”, diz ele. Instalou-se desde os anos 1980, acrescenta Larry Dossey, a crença de que a única arma contra o aceleração do tempo era é acelerar o ritmo da vida. O médico americano também entrevistado nessa matéria, observou ainda em seus estudos um comportamento resultante dessa crença: nada nunca é suficiente, seja no trabalho, na família, no lazer, no prazer… Almejamos sempre viajar mais, nos informar mais, aprender mais, se espiritualizar mais, amar mais, tudo mais.

Pior: um estudo da Universidade de Berkeley concluiu que quando a pressa se torna constante e extrema pode afetar a personalidade e o modo como a comunidade se relaciona. Empregos, relacionamentos, amizades, laços familiares, nada mais é para sempre. Isso resulta numa sociedade mais aberta e receptiva a mudanças. Ótimo. O mundo fica mais plural. Por outro lado, parte das pessoas não conseguem acompanhar a dinâmica complexa da vida e buscam refúgio no conservadorismo ou na alienação, o que seria a raiz de grupos radicais e também de segmentos sociais alienados, duas formas opostos de reagir a um mundo em que as pessoas não se sentem em casa porque tudo muda de lugar o tempo todo, exigindo grande capacidade de adaptação.

Como reação ao que muitos chamam da doença do tempo, surgiram vários movimentos de protesto. A matéria do Valor cita o famoso slow-food, uma reação à presença de uma filial do McDonald’s no centro histórico de Roma. Outros grupos se reuniram para lutar contra diferentes tipos de pressa e criaram o slow-travel, o slow-fashion, o slow-art. O mesmo impulso fez nascer o slow-data, que defende um breque na produção de informações. Pudera: segundo o Google, o volume de dados produzidos entre o início da civilização e 2003 é criado hoje em dois dias.

"Desacelere e aproveite a vida", diga não ao estresse e relaxe (Foto: Reprodução/Flickr: Sevenstar aka Elisandra©)
“Desacelere e aproveite a vida”, não deixe o estresse te comandar e procure sempre manter a calma (Foto: Reprodução/Flickr: Sevenstar aka Elisandra©)

 

 

 

 

 

 

 

 

O professora Rosa lembra que sempre houve movimentos contra a aceleração da modernidade. Em Paris, no começo do século 20, a moda era andar com tartarugas em coleiras como forma de protesto. Mas, para ele, um cético, a velocidade sempre vence. A aceleração de que tratam esses estudiosos, reunidos no artigo, já se anunciava no fim do século 19, quando foi identificada uma “epidemia de neurastenia” causada pelo ritmo de vida nas cidades, como denuncia o médico americano Larry Dossey.

Mais otimista, o escocês Carl Honoré, autor de um livro chamado “Devagar”, sugere lutar contra o encolhimentos do tempo e a sensação de vazio que isso nos traz justamente “perdendo” tempo para repensar o avanço da ciência e descobrir a melhor maneira de usar suas descobertas a favor de nós todos.

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