Este artigo é parte do Clube dos Escritores

Meu olho,
por Sylvia Loeb

 

 

 

Meu olho é uma grande boca através da qual devoro o mundo. Absorvo tudo. Beleza e feiura. Muitas coisas não quero ver, cerro as pálpebras, mas ocorre que a imagem já se projetou na tela branca interna, dentro da minha cabeça, um verdadeiro cinema. Resultado: nunca mais consigo me livrar dela.

Desejo me desfazer das que me fazem mal. Procedo, então, a uma grande operação de apagamento, mas quando menos espero, lá estão elas novamente. Minha sorte é que belas imagens, que pensei perdidas, também ressurgem, não apenas as pavorosas, que são as que mais grudam no meu arquivo, feito ostra nas pedras.

Tive uma sensação estranha faz duas horas: me senti  sugada para um não – lugar.
Acho que fui submetida a um processo de apagamento.

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SYLVIA LOEB – É psicanalista e escritora. Visite seu site, acesse sua página no Facebook ou escreva para o email [email protected]!

2 comments

  1. O que vemos impregna, a pesquisa de mulheres vietnamitas que ficaram “cegas” após massacre vivido. O não-lugar, ser sugado, a ostra nas pedras, contraposto às imagens belas e vivazes. Pergunto à autora, se o olho não padecer de catarata poderá assimilar o belo apesar da dor?

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