Este artigo é parte do Clube dos Escritores

Meus seios,
por Sylvia Loeb

 

 

 

O tédio era grande. Fazer o quê? Botar fogo na lata de lixo? Tirar o peixe do aquário e jogar pro gato? Quebrar os brinquedos do irmão?

Pegou uma massinha que estava jogada por ali e enquanto isso, amassava e amassava. Bocejou, os olhos se encheram de lágrimas.

Na falta de qualquer ideia, pegou mais massinha. Era fria, lisa, suave, tinha cheiro bom. Pegou mais e com as duas mãos começou a fazer uma bolinha que crescia em suas palmas. Espantado, esqueceu do fogo, da lata de lixo, do peixe,  do gato, do irmão chorão. Parou de amassar, agora massageava.

A massa crescia, acariciava suas mãos.

Levou-a para o rosto, cheirou, massageou mais um pouco, cheirou novamente, levou pra boca. Moldou um bico redondo, levou pra boca, era grande demais; tirou um pouco de massa e afinou o bico, levou para boca, pequeno demais; continuou amaciando e massageando até encontrar o tamanho certo. Deitou-se para sugar, fechou os olhos e dormiu.

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SYLVIA LOEB – É psicanalista e escritora. Visite seu site, acesse sua página no Facebook ou escreva para o email [email protected]!

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