Este artigo é parte do Clube dos Escritores

Minhas lágrimas,
por Sylvia Loeb

 

 

 

Minhas lágrimas transbordam.
Camada aquosa e morna umedece meus olhos e escorre pelo rosto.
Dizem que quando estamos tristes produzimos mais lágrimas, mas já notei que em cada olho tenho uma quantidade fixa delas, e dependendo de como estou, triste ou alegre ou emocionada, elas escorrem de um olho só.

Já chorei cachoeira, enxurrada, inundação, tempestade.
Ultimamente tenho chorado garoa, constante e fininha; molha igual, apenas mais devagar, silenciosa.
Ouvi dizer que  lágrima de felicidade sai do olho direito e a de tristeza, do esquerdo.

Tenho garoado muito.  Hoje mesmo já neblinei, já garoei.
Duas vezes pelo lado direito, uma pelo esquerdo.

 

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SYLVIA LOEB – É psicanalista e escritora. Visite seu site, acesse sua página no Facebook ou escreva para o email [email protected]!

 

 

 

2 comments

  1. Olá Sylvia, que bom que garoou (como escreve?) mais do lado direito, e gostei dessa metáfora das águas vertidas que se unem às águas da natureza, que somos, com a única diferença que conseguimos pensar nela, ainda que sem dominá-la, prevê-la, contê-la e, se pudêssemos (outro verbo estranho), seríamos menos desastrados?

  2. Garoou, me desastrei, me empoeirei.
    Outro dia ouvi, de uma mulher, meu marido bobeu-se .
    Mais um universo pra gente desbravar, os dinossauros e as moléculas de hoje são inspiradoras.

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