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O melhor remédio para a velhice é gente

A capa da revista Valor Investe (novembro, 2013) anuncia uma reportagem especial intitulada “10 regras de ouro para a sua aposentadoria — como se preparar física, financeira e psicologicamente para ter um futuro tranquilo”. Num veículo voltado para o mundo dos negócios, a pauta comprova o que a gente já sabe: o mercado está transbordando de aposentados nem sempre felizes ou habilitados para encarar esse novo ‘cargo’ a que foram promovidos pelas empresas.

O tema central é a garantia de saúde financeira nos anos que nos esperam, mas os conselhos não ficam apenas nos investimentos. Uma das retrancas trata de como dobrar essa esquina da vida de uma forma positiva, sem dor.

 

A edição de novembro de 2013 da revista Valor Investe traz uma reportagem sobre aposentadoria que afirma: fortalecer laços afetivos com gente de todas as idades é o melhor remédio para "curar a velhice" (Foto: iStock)
A edição de novembro de 2013 da revista Valor Investe traz uma reportagem sobre aposentadoria que afirma: fortalecer laços afetivos com gente de todas as idades é o melhor remédio para “curar a velhice” (Foto: iStock)

 

Prepare-se psicologicamente, diz o título, lá em cima na página 18. E o herói dessa história é um engenheiro que se aposentou aos 51 anos. O texto traz expressões deliciosas ao contar a história de Newton Monteiro: ele não ‘estacionou no sofá’ — adorei! E nem colocou todos os ovos na mesma cesta, ou seja, cuidou do planejamento desses ‘melhores anos’ em vários aspectos, não só no que diz respeito ao dinheiro.

Newton não sente falta do emprego. Desde cedo começou a investir em outros prazeres, tirando do trabalho o papel de protagonista da sua existência. Além de montar uma carteira de imóveis, ele abraçou o exercício como melhor amigo e os amigos como o melhor exercício. O artigo lembra bem o risco da invisibilidade dos idosos, uma praga comum no cenário em que vivemos.

Aposte na diversidade que abre os portões do presente para quem nasceu lá no passado. Fortalecer laços afetivos com gente de toda idade e todo tipo é o melhor remédio para curar velhice — netos nos apresentam o WhatsApp, filhos podem conversar com a gente pelo Skype, um sobrinho vitimado pelo Lulu conta tudo sobre essa invenção maléfica das meninas, um amigo mais velho ajuda a evitar erros futuros (ah, sim! aposentado também tem futuro!), a faxineira testemunha o caos do transporte público, na padaria a gente descobre amigos improváveis, o intelectual esnobe da Casa do Saber nos convida a discutir temas inimagináveis, que dão nós na nossa cabeça…

Gente é o canal para se descobrir novos interesses, ampliar horizontes e novos horizontes estimulam a curiosidade pela vida, afirma um dos entrevistados, o especialista em longevidade Alexandre Kalache. É ele quem alerta: “É comum as pessoas perderem a identidade quando se aposentam. Dedicaram tanta energia ao trabalho que ao deixar o emprego se sentem perdidos”.

Tudo isso, você me diria, todo mundo sabe. Mas estou aqui repetindo o conhecido para que essas pequenas regras acabem virando um mantra martelando o tempo todo nossos neurônios até que eles absorvem o conceito e passem a nos empurrar ao encontro de mais gente. Boa sorte pra nós!

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