Este artigo é parte do Clube dos Escritores

Vontade,
por Paulo Akira

Hoje acordei pensando em Deus.

Normalmente eu praguejo a Deus, embora ateu.

Hoje, não, calmamente pensei em Deus.

Sem orações, sem desejos, sem lamúrias.

Não que tenha algo especial para dizer-lhe

(a mim mesmo, penso).

– Que seja a Deus, então.

Nem esperava um diálogo.

Não aguardava um sinal.

Não esperava um relâmpago.

Afinal, nem acredito Nele.

Ele sou eu.

Como é bom ser não eu,

ser um outro que me ouve…

e entende.

Certa angústia sementeou,

caulejou,

aerofloriu,

e nuvificou,

sombreando o sol da manhã.

– Solidão!

Ainda bem que todo dia tem uma manhã,

mesmo o dia seguinte de um outro ano.

No dia seguinte posso

– eu, o outro e Deus (talvez) –

outroficar

em solitude.

Evoé ao tempo!

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PAULO AKIRA NAKAZATO – 55 anos, físico. Adora palavras e às vezes organiza algumas em contos e crônicas, esperando que façam sentido. Mas o que o atrai, mesmo, é quando elas orbitam no poema e se arranjam em sistemas estelares próprios.

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