Este artigo é parte do Clube dos Escritores Blog Clube dos Escritores Liliana Wahba A cidade e as mensagens

A cidade e as mensagens,
por Liliana Wahba

No alto de uma encosta avistavam-se montanhas, vales e o mar. Os habitantes da cidade e os turistas caminhavam pelas alamedas que rodeavam as edificações, casas, pequenos prédios, praças arborizadas. Podia-se sentar em terraços para conversar, devanear, sentir a brisa.

A praça principal era a atração turística pela qual era conhecida por viajantes, ali no meio uma árvore frondosa tinha sido batizada de A Mensageira. Nela se penduravam cartas em pequenos envelopes coloridos, cada um depositava uma carta e recolhia outra dos galhos, ao acaso, assim como se apresenta o destino.

Permaneci no banco com a minha em mãos, olhando quem dela se aproximava para deixar sua carta.

Um jovem casal entrelaçado com olhares apaixonados se beijou com ternura, ele  levantou a moça de vestido esvoaçante que pendurou um envelope rosa, talvez perfumado. O rapaz retirou outro e se afastaram trocando entre si o papel com gestos rápidos, rindo, assinalando promessas.

Um senhor idoso em terno de lã de bom corte e cores esmaecidas, depositou a sua, e leu a seguir a recebida, passos lentos e um leve tremor, rememorando entes idos buscando mantê-los, evocá-los como presença não perdida.

Para a minha escolhi um envelope lilás; perguntava sobre as injustiças, sobre testemunhos e um criador indiferente. Perguntava onde se recolhiam as dores e se iluminava a esperança.

No terraço que se abria para o mar li a mensagem de alguém, as palavras ressoavam ora fortes ou suaves: “Percorri caminhos longos e curtos, encontrei e me despedi, lancei memórias ao vento, nos instantes gravei uma lágrima e um sorriso”.

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