Este artigo é parte do Clube dos Escritores Blog Clube dos Escritores 50+ Luciano de Castro A flecha

A flecha,
por Luciano de Castro

Dedicado à Iracele, o meu amor imortal

Acordei com gritos de desespero

Era um domingo de manhã

Olhos vermelhos incrédulos

Meneio de cabeças incrédulas

Desamparo

Abismo

Solidão

Sentimentos em convulsão

A notícia atravessou-me como uma flecha

Transfixou o meu peito

Mas não saiu totalmente

Penetrou e ficou lá

Alojada no meu peito

Não houve sangramento profuso

Gotas marejaram

Pingaram nos meus pés

Salpicaram o chão do quarto

A flecha ainda está lá

Transfixada

Imóvel

Inabalável

Às vezes (raras vezes) me esqueço dela

Às vezes (muitas vezes) dói, arde, lateja

Acostumei-me à flecha como parte de mim

Durmo, acordo, caminho

A flecha ainda está lá

Transfixada

Imóvel

Inabalável

Penso, sonho, rumino

A flecha ainda está lá

Transfixada

Imóvel

Inabalável

Virou inimiga íntima

Não tem problema, fique aí

Dói, mas é parte de mim

Agora, quero saber de você

De você não, de ti, como dirias tu no teu natural

Onde vives agora, amor?

Em que mundo?

Em que planeta?

Em que galáxia?

É longe ou perto daqui?

Há dias e noites onde estás, meu amor?

Há pessoas?

Há comida?

Há camas para dormir?

Onde dormes agora, meu amor?

Ainda sentes aquele sono louco nas manhãs?

Há manhãs, tardes, noites?

Há sol, lua, vento?

Aqui, vive o desalento

Agora, só quero saber de ti

Incessantemente

Compulsivamente

Apaixonadamente

A flecha virou minha companheira

Ouvinte dos meus ais

Parceira nos andurriais

Ensinou-me uma lição

Que posso amar-te ainda mais

Amar meu amor invisível

Amar meu amor que não fala

Amar meu amor que não ri

Amar meu amor que se cala

Amar, amar, enfim

12 comments

  1. Um amor que nunca irá se apagar. Que dói de tanta beleza. Um mistério, um elo, um ímã, um sopro, um hino, um pouco do pedaço da chuva, um pitada do sol…um pedaço de lágrima, um roçar de espinho, um degrau, um patamar…uma vida que se ligou eternamente naquilo q de mais puro e divino se formou…um casal, um tango, um par …o amor na mais linda forma, que arde e faz tremer o chão…um homem que leva no peito a face rubra do amor…dois seres no paraíso

  2. Um amor que nunca irá se apagar. Que dói de tanta beleza. Um mistério, um elo, um ímã, um sopro, um hino, um pouco do pedaço da chuva, um pitada do sol…um pedaço de lágrima, um roçar de espinho, um degrau, um patamar…uma vida que se ligou eternamente naquilo q de mais puro e divino se formou…um casal, um tango, um par …o amor na mais linda forma, que arde e faz tremer o chão…um homem que leva no peito a face rubra do amor…dois seres no paraíso

  3. Que coisa!!! Como separar a tristeza, a dor, da beleza de um sofrimento? Não consigo… pode ser morbidez, ver encanto, numa dor tão pungente? Perdão, Luciano…

  4. Querido amigo: Linda, emocionante, forte e generosa mensagem. Espero que depois da dor venha a resignação e que depois fiquem as lindas recordações e ensinamentos. Forte abraço. Enio

  5. Prezado Oliveiros: Em tempos tão nefastos, a beleza está em saber que a dor da perda reforça nossa condição de seres humanos. Que apesar dos exemplos atuais, ainda há esperança. Por outro lado, posso entender o lugar poético do teu íntimo comentário.

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