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Aula de sossego

Gosto de ler os artigos do Marcelo Gleiser. Esse professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover, Estados Unidos, como a Folha o apresenta, traz à tona conceitos que ficaram submersos nas modernices que nos governam. Num desses dias, ele tratou a opressão da tecnologia, por exemplo, um assunto que preocupa muita gente.

Ele começa falando do celular, que virou o melhor amigo do homem, da mulher, da criança, do rico, do pobre, de todas as gerações. Estar sem essa fantástica engenhoca nos deixa nus, solitários, desconectados e isso, socorro!, é o apocalipse. Esse companheiro inevitável, brinca o professor, se integrou ao nosso corpo como se fosse parte dele. Para reforçar seus argumentos, lembra a histeria que rola no exato momento em que o comandante autoriza os passageiros a ligarem os celulares, depois do avião pousar na pista.

É preciso abrir espaço para o ócio, para o fazer nada e desgrudar os olhos das telas, grandes ou pequenas, através das quais enxergamos a vida (Foto: iStock)
É preciso abrir espaço para o ócio, para o fazer nada e desgrudar
os olhos das telas, grandes ou pequenas, através das quais
enxergamos a vida (Foto: iStock)

Qualquer minuto desconectado parece nos roubar infinitas possibilidades. Ficar privado de informação, grande patrimônio do ser contemporâneo, é sair de cena, perder o bonde. Manter os amigos, cultivar relações, lembrar dos aniversários e desvendar qualquer mistério que nos ocorra — a tecnologia cuida disso por nós. E dela passamos a depender.

Toda essa conversa começou porque os leitores perguntam a Marcelo, expert em Física, se o tempo está realmente encolhendo ou se essa é apenas uma percepção errada que temos. A resposta: “Para resgatar nosso controle sobre o tempo”, diz ele, “é preciso criar espaço para a contemplação”. Traduzindo: é preciso abrir espaço para o ócio, para o fazer nada e desgrudar os olhos das telas, grandes ou pequenas, através das quais enxergamos a vida. Marcelo nos sugere contato direto com a natureza um caminho para redescobrir a nossa própria natureza e resgatar a relação com os ciclos e ritmos do Cosmo. Taí um bela proposta de ano novo.

PS: em algum momento do texto, o autor pede desculpas se está parecendo retrógrado e avesso à tecnologia. E se defende (como também faço agora) revelando que possui todos os brinquedos tecnológicos, mas vive tentando usá-los com sabedoria sem se submeter a eles. Eu também!

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