Este artigo é parte do Clube dos Escritores Blog Clube dos Escritores 50 mais Clemari Marques Caminhante de um novo tempo

caminhante de um novo tempo
crônica de Clemari Marques

Finalmente voltei a caminhar pelas ruas de São Paulo, meu esporte favorito.

Que alegria a Paulista lotada de gente de todas as cores e formatos. Obviamente, com máscaras também de todas as cores e formatos. Mesmo assim, dá para sentir a alegria do pulsar da vida acontecendo e sendo partilhada no meio da rua, depois de tanto tempo entre quatro paredes, temendo a única visita provável: a Morte.

Tanto tempo reféns de notícias virtuais, vindas através de imagens, que eram a única coisa que podia entrar em nossa casa sem perigo eminente.

Será?

Quantas invasões virtuais nos trouxeram inverdades, meia verdades e muitas mentiras…

E nós, na mais completa solidão, tememos e trememos sozinhos e ainda assim, gratos por estar em segurança, enquanto tantos amigos se foram, ou se despediram de seus entes mais queridos.

Que delícia caminhar pela Faria Lima, barulhenta, com todos conversando, em filas nas portas dos restaurantes…

– Será que já pode isso?

– De máscara pode …

Ainda carregamos e carregaremos resquícios do medo, nosso único companheiro fiel nesses últimos tempos.

Últimos tempos, que parecem ter levado muitas pessoas de volta aos tempos passados, muito passados. Algumas vezes me senti na Idade das Trevas, em plena Idade Média. Às vezes, por incrível que pareça, na Pré História, quando o ser humano era totalmente selvagem e na luta pela sobrevivência vencia o melhor…

Teremos voltado ao século XXI, agora? “De volta para o futuro”? Tenho minhas muitas dúvidas.

Todo esse terror parece não ter sido suficiente para que as pessoas entendessem que estamos vivendo uma nova era. E que está em nossas mãos, se será melhor ou pior do que tantos horrores que já vivemos.

Somos sobreviventes.

Por isso conseguimos ainda sorrir ao caminhar entre pessoas. Entre ruas lotadas de veículos de todos os tipos, retomando o trânsito enlouquecedor e poluente das grandes cidades. Olhando as filas enormes de pessoas voltando a comer correndo, em fast food, para voltar ao prédio de mais de vinte andares, com ar condicionado e luz artificial, e passar o dia trabalhando em sua “baia”. Vendo filas e filas de ônibus lotados; as estações de metrô pipocando.

Somos sobreviventes.

Mas seremos ainda humanos? O que deveríamos ter aprendido com tudo isso, mas passou batido?

Que lindo é o ser humano…

Que bom participar do início de uma nova era…

Será?

4 comentários

  1. Deve ser muito rico caminhar por São Paulo e experimentar seus contrastes. Fiz isso poucas vezes e gostaria de fazer mais. Abraço, Clemari.

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