Este artigo é parte do Clube dos Escritores Clube dos Escritores Eder Quintão Canção do Paraíso

Canção do Paraíso,
por Eder Quintão

Em memória de Gonçalves Dias

Minha terra tinha palmeiras
Aonde cantava o sabiá
As vozes que lá cerceiam
Não gorjeiam como as de cá

Nosso céu sem mais estrelas
Nossas várzeas são horrores
Nossos bosques não têm vida
Nossa vida só clamores

Em pesadelos, e só à noite
Torpezas encontro eu lá
Minha terra teve palmeiras
Onde cantava o sabiá

Minha terra tem dissabores
Que nunca encontro eu cá
Em sofrer – sozinho à noite
Só corrupto encontro eu lá

Minha terra teve palmeiras
Onde cantava o sabiá
Não permita Deus que eu morra
De Covid se for eu lá

Para que viva sem pavores
Como bem vivo eu cá
Livre-me de todos horrores
Que terei se for eu lá…

3 comments

  1. Eder,

    você se exilou no paraíso.
    Adorei o poema.
    Vou me exilar também!
    Um novo ano com muita poesia!
    (Canção do exílio, Gonçalves Dias)

  2. querido Eder, poesia e humor refinado nos alenta e dá forças para suportar, vamos ouvir os sabiás, enfrentar os temores, soltar imaginação aos quatro ventos

  3. Éder, tenho saudades da terra de cá quando o sabiá (só ele) cantava meio destrambelhado. Hoje tem muitos sábios destrambelhados. Adoro o seu humor e fineza. Muito grato também por me fazer lembrar de Gonçalves Dias. Vocês dão forças para enfrentar essa barra.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *