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Cantiga militar,
por Eder Quintão

Em memória de 1964

Esquerda, direita
Direita, esquerda
Dessa marcha militar
Não tem que reclamar
Ninguém se intrometa
Com toque de corneta

Direita, esquerda
Esquerda, direita

De Portugal foi Salazar
Mas acabou dando azar
Pois mandou-o passear
A revolução dos cravos
Que não fez conchavos
Para democracia salvar 
Sem lágrima derramar

Foi Franco na Espanha
Após tempo sangrento
Que fez um rei herdeiro
Exigido em testamento
Mas não reinando eleito
Herdou só paz estranha
Com choro e lamento

Súbito um Mussolini surgia
Na bela Itália, e quem diria!
De Garibalidi, Dante, Tasso
Diferiu deles esse palhaço
Fez na Etiópia o que queria
Começando seu mau passo
Mas lágrimas viriam um dia

Vingou na culta Alemanha
Pintor sem qualquer talento
Aproveitou mundo desatento
Impondo-lhe o pior momento
Pois deixou rastro sangrento
E junto a completo desalento
Lágrimas de todo sofrimento

Do oriente pelo sol nascente
Surgiu uma armada insolente     
Impetuosa a invadir continente
Carreando suicidas dementes
Da súbita batalha inclemente
Não restaram sobreviventes
Mar de lágrimas tão somente

Na China surgiu Chairman Mao
Tirano que comandou todo mal
Pela fome matou mais chineses 
Que os abatidos por japoneses
Mas tolos do mundo ocidental
Exaltaram a revolução cultural
E pior ainda pranteiam pelo tal

Na Rússia venceu o comunismo
Com extinção da iniciativa privada
Que exterminou liberdade criativa
Em benefício da quimera coletiva
Desse ismo em plena derrocada
Salva-se apenas o construtivismo
E cautelosas lágrimas ocultadas

Imitando Espanha e Portugal
Criou o ocidente espaço vital
Pela África e o mundo oriental
Para engordar lucro e capital
Com ouro negro, e raro metal
De ex-escravo, ainda serviçal
Lágrimas não lhes farão mal

Nem dessa América do Norte
Nós obtivemos melhor sorte
Pois ainda não nos safamos
Da Coca Cola que tomamos
Ou de Trumps e Bolsonaros
E com tais malucos ignaros
Lágrimas ainda derramamos

Ditaduras cruéis são exportadas
Com munição e armas enviadas
Mais lições de torturas ensaiadas
Afinal sendo mercadorias baratas
À esquerda e à direita camufladas
Ainda na América Latina desejadas 
Úteis a ninguém, e a mais nada
Vertem somente muitas lágrimas

Esquerda, direita
Direita, esquerda
Não importa de quem
Nem de onde ela vem
A botar ordem não convém
Nem que comande alguém
Direita, esquerda
Esquerda, direita

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