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Centro?
por Carlos de Castro

Percebi de imediato:

O azimute estava certo,

Batia com o rumo definido.

Ignorava, porém, a topografia acidentada.

Ali, sobre o ponto alto da colina

O visor não nos permitiria errar,

Ali, no meio da ação, sombras por perto:

Tempo de descanso.

Me ocorreu mudar a inclinação da luneta:

Amor à primeira vista,

À primeira visada mais correto seria.

Ilusão sublime, atávica!

No alto do céu o percurso do Sol,

Sua descida célere no firmamento.

Sensações inconscientes

Levam a consentir com o engano.

Folia, farra, tecno-brincadeira.

Planeta que somos, desencontrados,

Jovens, supomos ser centro

Do que orbitamos apenas.

Só quando o tempo

Permitir cruzar o umbral da arte,

Ou do espírito talvez,

Só então se perceberá a ilusão do foco.

E se compreenderá o absurdo

De não conhecermos

Do universo o centro,

Que se oculta dentro de nós.

9 comments

  1. Poema-imagens, viagem de vidas que não têm fim… Estamos em viagem… E instantes há de perceber do Universo o Centro, que se Oculta dentro de Nós…Planetas que somos, desencontrados… Palvras-imagens-vivas… O poema é muito lindo e verdadeiro

  2. Carlos, seu poema é um convite para pensar sobre a topografia de nós mesmos. Quem mora em nossos vales e montanhas? Qual a profundidade de nossos abismos? O que será que veríamos olhando os céus que cobrem esse nosso interior? Uma viagem!

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