Este artigo é parte do Clube dos Escritores Clamor, Sylvia Loeb, Fifties, iStock

Clamor

Me alimento da terra. Terra podre, revirada, cheia de mortos, cheia de vida, plantada, queimada.

Recebo água que cai do céu, água que vem das profundezas das fissuras da crosta terrestre. Água pura, salobra, em cascata. Água de chuva, de granizo, de neve. Água de inundação.

Abrigo a sombra, a noite, a madrugada, o dia. Abrigo cobras, pássaros, formigas, besouros, aranhas, escorpiões, ninhos. Abrigo os vermes que habitam os homens. Abrigo os homens.

Tenho cicatrizes. Amantes vêm e me talham. Cachorros urinam em mim. Bêbados aqui vomitam, cagam e dormem. Um já se suicidou. Pendurou-se numa corda. Outro bateu sua cabeça em meu corpo. Até mais não poder. Um carro, mais de um, tentou me derrubar.

Minhas raízes tremem de horror tentando segurar a vida que corre em mim.

Me alimento da terra.

Até quando?

 

Sylvia Loeb é psicanalista e escritora. Visite seu site em sylvialoeb.wordpress.com , acesse sua página no Facebook: SylviaLoeb_escritora ou escreva para o email sylvia.loeb@gmail.com

Sylvia Loeb é psicanalista e escritora. Visite seu site em sylvialoeb.wordpress.com, acesse sua página no Facebook: SylviaLoeb_escritora ou escreva para o email [email protected]. Seu livro, Amores e Tropeços,  publicado pela editora Terceiro Nome em 2010, pode ser adquirido online clicando aqui. 

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *