Este artigo é parte do Clube dos Escritores

Fim de ano,
do Clube dos Escritores 50+ para você, mas sem pressa

É um pouco aflitivo chegar ao final do ano novamente. 

A tal ponto, que não sei se hoje já é amanhã ou se ainda é ontem…

Penso em procurar um psicanalista. Não sei se alguém é capaz de me compreender.

É tanta desorientação que pensei até em me encontrar com um pastor ou um padre. Talvez um deles possa me ajudar.

Pois não posso voltar ao dia da Criação do grande Big Bang e introduzir um logaritmo que desacelere o tempo e faça com que cada amanhã seja um prolongamento de hojes

A alma tem muitas portas.  A principal é a do Tempo. Ele  não é infinito, mas tem grandeza e espessura.  

Me encontrei em um lugar amplo onde aconteceu o futuro que já vivi. O tempo se enrolou em mim, me fez virar uma cambalhota, Ainda estou girando, girando…

Estrepolias temporais, almas em busca de algorritmos que lhes emprestassem sentidos…Maria riu de si mesma, sacudiu a cabeça, se desenrolou do tempo e da falta dele, chega de pensar, espreguiçou, e pulou da cama. Estava atrasada, como sempre. Nâo ia dar tempo de meditar. Nem de caminhar com o cachorro. Tanta coisa para fazer e já passava das 7h da manhã. Faltavam pouco mais de 24 horas para o Natal. Precisava correr… 

Agarrou um peru no quintal, estrangulou-o com os braços fortes – como vira a sua avó fazer em outras eras. Pôs-se a depená-lo, ainda úmida pelo sonho que tivera. Não sei se procuro um pastor, um psicanalista, um pai de santo, um padre, ou uma macumbeira, refletiu… A necessidade de ajuda insistia. Bem, de qualquer forma, só no ano que vem…

Moral dessa história? temos que viver o presente porque amanhã, nessa velocidade, já é hoje, já é ontem, já, já…

Essa história de tempos confusos de Natal foi escrita a muitas mãos apressadas:

Adília Belotti
Bettina Lenci
Paulo Akira
Sergio Zlotnic
Sylvia Loeb

2 comments

  1. Amigos queridos, aqui estamos novamente, em mais uma volta da roda. Para o meu gosto, poucos encontros, mas de qualidade indiscutível. Mais vale qualidade do que quantidade dizia minha professora, mais vale um pássaro na mão do que dois voando dizia a vizinha, quem muito se queixa logo envelhece dizia a madrinha, o perfeito é inimigo do bom, sei lá quem dizia, não se pode ter tudo, cansou de dizer meu psicanalista, todos tentando segurar minha gula. Quero mais no ano que vem, mais encontros, mais livros, mais saraus, mais poesia, mais textos, mais música, e vinho e a alegria de ter vocês como amigos. Boas festas, bom ano e até logo mais!

  2. Uau! Que lindo! O conto! [com o perdão pela falta de modéstia…]

    Linda também tanto quanto a msg de Loeb aqui!

    Mais contos, mais ficção – e menos dor!

    2020 – mais sarais e mais saraus. Menos degrais e menos degraus.

    [notem: sarais têm duplo sentido – num deles, aplaca a dor].

    Ps- e digo mais, pra fazer coro com Sylvia: quem muito quer, nada tem…

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