Este artigo é parte do Clube dos Escritores Clube dos Escritores 50+ Liliana Wahba De quem é a culpa

De quem é a culpa,
por Liliana Wahba

O apocalipse anunciado veio de pronto;

É sempre cedo para morrer.

Cavaleiros em fúria empunhavam caveiras;

Muitos diziam ser miragem.

Corpos às margens, ilusão;

Fome, quimeras;

Medo, covardia.

Realidades paralelas pavimentavam a devastação

Impiedosa e palpável.

Culpavam a fraqueza,

Como se a fragilidade humana crime fosse,

Culpavam ocultos inimigos,

Ainda que estivessem escancarados no meio deles.

Culpavam a ciência, a medicina, a física, a biologia,

Culpavam, em suma, os outros, quaisquer fossem.

Incólumes, marchavam junto aos cavaleiros da morte,

Lançando brados de mundos armados.

Cegos decretos cuspindo veneno e repelências.

Vigiem os restos,

Apaguem os traços de remanescente candor,

Saúdem a era da intemperança.

7 comments

  1. Afora a tristeza e desesperança, agora o comentário sobre a escrita. Acho que você atingiu força extraordinária, as palavras enxutas, nem a mais, nem a menos funcionam como uma mensagem do fim do mundo, bela e terrorífica. Tem muita verdade e desespero no que escreve.O poeta está inteiro nesta obra. Parabéns!

    1. Agradeço a leitura Sylvia! Compartilhar desesperos nos ajuda a buscar em nós, nos outros que nos vêem e ouvem, um respiro possível

      E Eder, sua rima dá uma marchinha; já pensou se entra no próximo Carnaval sem Neros?

  2. Muito, muito triste e atual. Me fez pensar.
    “A fragilidade humana nunca esteve tão escancarada. Será que os Cavaleiros do Apocalipse ( morte, guerra, fome e pestilência ) estão chegando?”

  3. Liliana, li o poema algumas vezes, é forte. É o que estamos vivendo, tempos apocalípticos!
    Estou horrorizada com os tempos que estamos vivendo. A arte nos traz palavras e tira da mudez. Seu poema traz. Palavras, arte, o resgate da nossa sanidade. Andei muda. Estarei saindo da mudez?! Tomara!

  4. É verdade, Liliana! Que tempos apocalípticos! Além do mais, a gente não consegue achar um culpado para o nosso medo e fragilidade.

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