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HASSAN E JACOB, por Luciano de Castro

Hassan e Jacob

De onde vens?

Venho do norte, do porto de Sidom.

Que fazes por estas bandas?

Compro, vendo, negocio. Ando pelas estradas a mascatear.

Como te chamas?

Hassan.

Sou Jacob!

Vigiai em que alfombras tu pisas, Hassan!

Alfombras foram feitas pra pisar.

Que trazes nesse alforje?

Peças em ouro, joias de prata, atavios de marfim.

Alfaias mundanas, Hassan. Qual preço desse marfim?

Para ti, que és fariseu, são 20 denários cada peça.

Pois, quero. Separe essas duas pra mim!

Quando retornarás à Fenícia?

Tão cedo, não voltarei. Há cidades, aldeias e vales que percorrer.

Vigiai em que mesas te reclinas, Hassan. Não te lambuzes com alfajores!

Alfajores são lícitos deleites de quem trabalha.

Vigiai, também, em que catres tu te deitas!

Ah, isso conheço bem. Hoje mesmo, dormirei com Hannah, em Cafarnaum.

Vis prazeres da carne! Em que alcouve vive Hannah? 

Posso te mostrar. Já que tens interesse.

Te esconjuro, Satanás! Quero saber para passar longe desse antro pecaminoso!

Cuidado, Hassan, o alfange do Senhor vem sobre ti e te decepa a cabeça!

Não tenho medo. Defendo-me com outro alfange inda mais rijo.

Não blasfema, gentio do norte! Vai-te embora desta cidade santa!

Até outro dia, Jacob.

Até nunca mais, Hassan!!

3 comentários

  1. É surpreendente seu conhecimento holístico, Lú! Um verdadeiro show a riqueza sutileza de temas embutidos nesse conto: comércio oriental, geografia bíblica, valores morais, crenças, estilo de vida… as poucas palavras, de
    cada um dos personagens, revelam muito… impressionante!👏👏👏

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