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História real,
por Suzana Gonçalves

­­O ano era 1977, o feriado era de 7 de setembro. À minha frente, um mar calmo e azul, quando surgiu um barco e foi sendo ancorado bem de leve, assim como a brisa suave e se confundia com o dourado do sol.

Lá de longe avistei, andando em nossa direção, eu e duas amigas, um rapaz que já rondava os meus pensamentos, já tinha  visto antes aquela figura jogando um frescobol de praia perfeito, tipo amor platônico de minha parte, admirar e nem pensar na possibilidade de conhecer pessoalmente, ele nem sabia que eu existia.

Pensei: Será verdade? É ele mesmo?

Era sim, ele em carne e osso, ali na nossa frente, nos convidando a um passeio pelo mar, afinal era amigo de minhas amigas e eu nem sabia.

Aceitamos prontamente o convite inesperado, nem estava no script do dia.

Nos dirigimos à embarcação com toda a alegria inerente à nossa juventude e loucas por novas aventuras.

Ele subiu no barco primeiro que nós, como um marinheiro hábil, garantindo assim um embarque sem atropelos.

Entre o balaço das ondas e a ansiedade em vivenciarmos um momento tão bom e diferente, fomos subindo, minhas amigas na frente, ele gentil e educado, ajudando no processo de acomodar todos da melhor maneira possível.

Fiquei por último, o destino quis, cada segundo era precioso entre uma onda e outra, para aproveitar um bom impulso. Dei o meu, o melhor que pude para não causar problema algum na logística divertida de subidas e descidas da maré.

– Pode subir sem medo, eu pego tua mão.

E no impulso fui, fui e a parte inferior do meu biquine de listrinhas azuis, foi também, por água a baixo, momento tenso!

Ainda com a peça descida, consegui ser amparada e cuidada pelo rapaz, um verdadeiro gentleman.

– Fique tranquila, ninguém viu nada.

Somente ele viu, somente ele tinha agora a visão do mais intimo de mim, somente ele não sabia que já morava no meu coração. Sua gentileza tinha me conquistado.

E o passeio foi lindo, conversamos, tomamos banho de mar, coca-cola geladinha e eu voltei pra casa com o sentimento mais transbordante de gratidão e paixão.

Dia seguinte, meu telefone foi passado a ele pela minha amiga, meia intrigada com o súbito interesse dele por mim.

Já se passaram 43 anos desse dia inesquecível e estamos juntos até hoje, curtindo agora nossa melhor idade, cheios de paixão, como se o tempo nunca tivesse passado. Temos uma filha que se chama Marina, simbolizando a nossa história.

12 comments

  1. Apesar de já conhecer essa história, me emociono todas as vezes que ouço, ou leio como agora. Amo vocês dois, meu maior exemplo de casal! E essa escritora eu já sabia que existia e sempre dei a maior força pra que desabrochasse. Que seja apenas a primeira publicação de muitas. Te amo!

  2. Que emoção ler a história de amor mais linda que conheço, a dos meus pais, eu sou a Marina que ama o mar de uma forma inexplicável e é só gratidão por ser um dos frutos desse amor verdadeiro 🥰 Mami você está incrível de escritora, não pare! 😘

  3. Amiga querida, linda e apaixonante a sua historia. Sou feliz por poder testemunhar esse amor nos últimos 10 anos de amizade que a vida nos presenteou.

  4. A vida deve ser vivida pelas boas lembranças que temos dos (as) amigos (as), das familias, dos conhecidos e dos amores! Ontem vendo um filme “FLORBELA” sobre a vda da Florbela Espanca, ouvi a frase :” O AMOR SÓ É AMOR SE FOR VIVIDO SEM MEDO!” Parabéns pelo texto e escreva mais! Saudades!

  5. Suzana,
    sua história me trouxe inveja. Talvez estou só ( depois de três viuvezes – uma delas a separação , equivalente a um acontecimento pior do que a viuvez – mas nao é disso que lhe falo!
    sua história trouxe inveja porque nunca perdi o biquini ao subir no barco pelas mãos do meu amor hoje “envelhecido” – como um bom vinho – , de velhos, como este que v. está provando. Deve ser reconfortante e confortável viver um amor de velhos. Um dia de sol para usar biquini e passear de barco todos os dias.
    te desejo muitas viagens ainda! sua colega de escrita.

    De uma voltinha no meu site. Acredito que v. vá gostar! Continue escrevendo suas histórias e estórias.

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