Este artigo é parte do Clube dos Escritores Clube dos Escritores Leo Forte Mesa de Pista

Mesa de pista
por Leo Forte

Antes de começar a ler, aperte o play e entre no clima da história ouvindo Perfume de Gardênia, com Waldick Soriano

Marilda, de alma pura e inocente, era muito bonita. Cheirosa, tinha lindos olhos brilhantes, boca carnuda com sorriso fácil, cabelos negros, sedosos, ondulados. O corpo, cintura fina, seios fartos, coxas grossas e roliças. Marilda era uma tentação.

Dançava bem, nos bailes era concorrida, não parava uma música sequer. Adorava rodar pelo salão, mesmo na maioria das vezes sentindo a ereção do parceiro de dança encostada em seu corpo. Não ligava, é coisa de homem, pensava.

Apaixonada, casou. Teve três filhos e os formou médico, engenheiro, advogado. Separou.

Há algum tempo foi convidada para um baile. Animada, correu comprar um sapato especial para dançar. Salto não muito alto e um pouco mais grosso para equilíbrio. O couro, pelica bem macia e sola fina, lisinha, boa para deslizar pelo salão.

Foi uma das primeiras a chegar, pegou uma mesa de pista, bem localizada. Pediu salgadinhos e refrigerante. Esperou.

A noite passou, o baile acabou e ela não dançou.

Marilda continua cheirosa.

7 comments

  1. A beleza passa, o tesão provocado passa, o desejo de dançar não passa, o perfume permanece; Marilda, não espere comendo saldadinhos, dance sozinha!

  2. Da mocidade à velhice, a vida vivida em poucas e enxutas palavras.
    A vida é cruel, passa depressa. É triste.
    O que cada um vai fazer com isso, é a questão.
    Alguns escrevem, usam da imaginação, da escrita, da música, da arte e nos presenteiam.
    Viva Leo!

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