Este artigo é parte do Clube dos Escritores Clube dos Escritores Luciano de Castro meu cavalo não falava inglês

Meu cavalo não falava inglês,
por Luciano de Castro

Quando eu era menino
Meu pai me deu um cavalo
Eu não tinha princesa
Não tinha bodoque
Não tinha pião
Mas tinha um cavalo e isso me bastava
Era um cavalo velho e mansinho
Tinha a cara triste e era manchado de branco e marrom
Meu cavalo se chamava Comanche
Comanche não falava inglês como o cavalo do Chico
Ele conversava comigo em português mesmo
E tinha o sotaque do nordeste mineiro
Só falava comigo e com os outros cavalos
Um dia, Comanche sumiu
Procurei por ele nos morros, nas mangas, nas grotas
Procurei, procurei até encontrar
Ele estava doente, sozinho, preso numa baixa
Todo dia, eu tratava da bicheira dele com um remédio roxo
Cuidei dele até a bicheira sarar
Todo menino devia de ter um cavalo
Pra conversar
Pra lhe curar as feridas
Pra amar e ser amado.

4 comments

  1. O poema tem a ternura de lembranças de infância e da criança que continuamos sendo, curar as feridas de outros e buscar curar as próprias

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