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Nebuloso

 

Acordei cedo, antes do sol acordar. Em verdade, hoje ele resolveu não levantar, talvez por medo, causa da forte chuva que caiu a noite toda. Então o dia acordou triste e ficou cinza, úmido, fosco, sem o brilho de vida. Minha alma também acordou cedo, lenta e molhada, não pela água que caiu a noite toda, mas pelas lagrimas que balançam dentro dela como ondas num mar inquieto, sem nunca sair, explodir, espumar. Apenas balançam e balançam em busca de uma fuga impossível. Cansado resolvi procurar consolo nos contos e cantos dos inspirados e poetas. O dia passou, estou meio mofo.

Nebuloso, arte do texto de Leonardo Forte para o Fifties+

Queria fazer como Bandeira, que um dia acordou cedo e escreveu um lindo poema para um amigo. Eu, pobre de mim, nem sei fazer café.

Bandeira
“Poema só para Jaime Ovalle”

Quando hoje acordei ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando…
– Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

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Leonardo Forte (Léo), 73 anos, economista, publicitário aposentado, casado dois filhos e uma neta. Apaixonado por cinema, literatura e música, escreve contos e promove encontros para ensino de jazz.

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