Este artigo é parte do Clube dos Escritores

O que é juventude?
Por Eder Quintão

Juventude é
A arte
De fazer arte
Sem ser artista

Juventude é
Viver o presente
Pleno de agitação
E de culpas ausente

Juventude é
Nascer sem ontem
E esquecer amanhã 
Tudo que lhe convém

Juventude é
Fase da idade
Que não entristece
Se carrega saudade

Juventude é
Aquele deleite
Iniciado pela queda
Do último dente de leite

Juventude é
O que permanece
Da infância à senilidade
Se ama, odeia ou desconhece

Juventude é
Culpar-se jamais 
Por todos desatinos
Não importam quais

Juventude é
Aquela ambiguidade
Que sempre aborrece
Entre infância e maioridade

Juventude é
Manhã consumida
Naquela infinita preguiça
Acordando da noite dormida

Juventude é
Caminhar sem receio
De estômago bem cheio
Livre de qualquer inquietude

Juventude é
O choro pelo soco no peito
Ser só carícia de irmão perfeito
Nunca assunto jurídico de direito

Juventude é 
O fato constatado
Ser tão útil conselho dado
Como fumaça de papel queimado

Juventude é
Vaidade sobre sagacidade
Obedecer a lei da gravidade: 
Inversamente proporcional à idade

Juventude é
Aquele estado
Em que aprendizado
Serve a tudo e a nada 

Juventude é
Humilhar adulto
Para se sentir estulto
Pela lentidão em aprender

Juventude é
Rir-se do idoso curvo
Sem perceber maldade 
Pois à compaixão é surdo

Juventude é
Demonstrar que ordem
Não precisa ser cumprida:
Basta fingir foi bem ouvida

Juventude é
Pelo mal-educado
Não mais ser provocado
Depois de havê-lo surrado

Juventude é
Morder-se de ódio
Se seu clube dileto
Perde para o desafeto

Juventude é
Fingir-se castigado
Temendo o resultado
Garantindo não reprisado

Juventude é
Consumir hoje 
Prazeres de ontem 
Mais todos que pôde

Juventude é 
A mentira primeira 
Que sempre antecede 
Todas da existência inteira

Juventude é
Sempre objetar
Se em causa própria
Querem impedi-lo julgar

Juventude é
Chorar amargurado
Sofrendo inconsolado
Incidente pueril frustrado

Juventude é
Fazer-se acabrunhado
Pelo fedor daquele cigarro
Descoberto escondido fumado

Juventude é
Conseguir explicar
Travesseiro vomitado
Após porre consumado

Juventude é
Na rede, espraiado 
Sorver livro pornográfico
Fingindo ler um geográfico

Juventude é 
Chantagear o pai 
Pego mirando sorrateiro
Da doméstica o peito inteiro

Juventude é
A cobiça
Pelo sexo oposto
Sedento por conquista

Juventude é
A iniciação sexual 
Trancado no banheiro
Masturbando-se dia inteiro

Juventude é
Sexo praticado
Antes de casado
Julgar ser pecado 

Juventude é 
Segredo guardado
Do hímen que rompido
Nunca mais é esquecido

Juventude é
Temer conceder 
Que foi a primeira vez
E acha não ser gravidez

Juventude é
Aula cabulada
Em seção de cinema
Beijando a namorada

Juventude é
Não desconfiar 
Do amigo de jornada
Roubando-lhe a amada

Juventude é
Inveja que o afeta
Por tudo que atesta
No rival que detesta

Juventude é
Covardia frente a leão
Qual matilha de chacal  
Se compartilha assédio imoral

Juventude é
Calvo estéril 
Ainda imberbe
De cabelo fértil

Juventude é
O tempo passado
Que não mais existe
E só serve se lembrado

Juventude é
O lamento
Por não ter feito
O que crê seu direito

Juventude é
Atingir a maturidade
Chegando finalmente
A tempo inconsequente

Juventude é
O distante momento 
De perene esquecimento
Com cérebro em derretimento

Juventude é
Prazer imensurável
Antes do indesejável
Imprevisto fim miserável

Juventude é
Viver entediado
Com coronária hígida
Até o óbito ser atestado 

A arte
De fazer arte
Sem ser artista

Juventude é
Viver o presente
Pleno de agitação
E de culpas ausente

Juventude é
Nascer sem ontem
E esquecer amanhã 
Tudo que lhe convém

Juventude é
Fase da idade
Que não entristece
Se carrega saudade

Juventude é
Aquele deleite
Iniciado pela queda
Do último dente de leite

Juventude é
O que permanece
Da infância à senilidade
Se ama, odeia ou desconhece

Juventude é
Culpar-se jamais 
Por todos desatinos
Não importam quais

Juventude é
Aquela ambiguidade
Que sempre aborrece
Entre infância e maioridade

Juventude é
Manhã consumida
Naquela infinita preguiça
Acordando da noite dormida

Juventude é
Caminhar sem receio
De estômago bem cheio
Livre de qualquer inquietude

Juventude é
O choro pelo soco no peito
Ser só carícia de irmão perfeito
Nunca assunto jurídico de direito

Juventude é 
O fato constatado
Ser tão útil conselho dado
Como fumaça de papel queimado

Juventude é
Vaidade sobre sagacidade
Obedecer a lei da gravidade: 
Inversamente proporcional à idade

Juventude é
Aquele estado
Em que aprendizado
Serve a tudo e a nada 

Juventude é
Humilhar adulto
Para se sentir estulto
Pela lentidão em aprender

Juventude é
Rir-se do idoso curvo
Sem perceber maldade 
Pois à compaixão é surdo

Juventude é
Demonstrar que ordem
Não precisa ser cumprida:
Basta fingir foi bem ouvida

Juventude é
Pelo mal-educado
Não mais ser provocado
Depois de havê-lo surrado

Juventude é
Morder-se de ódio
Se seu clube dileto
Perde para o desafeto

Juventude é
Fingir-se castigado
Temendo o resultado
Garantindo não reprisado

Juventude é
Consumir hoje 
Prazeres de ontem 
Mais todos que pôde

Juventude é 
A mentira primeira 
Que sempre antecede 
Todas da existência inteira

Juventude é
Sempre objetar
Se em causa própria
Querem impedi-lo julgar

Juventude é
Chorar amargurado
Sofrendo inconsolado
Incidente pueril frustrado

Juventude é
Fazer-se acabrunhado
Pelo fedor daquele cigarro
Descoberto escondido fumado

Juventude é
Conseguir explicar
Travesseiro vomitado
Após porre consumado

Juventude é
Na rede, espraiado 
Sorver livro pornográfico
Fingindo ler um geográfico

Juventude é 
Chantagear o pai 
Pego mirando sorrateiro
Da doméstica o peito inteiro

Juventude é
A cobiça
Pelo sexo oposto
Sedento por conquista

Juventude é
A iniciação sexual 
Trancado no banheiro
Masturbando-se dia inteiro

Juventude é
Sexo praticado
Antes de casado
Julgar ser pecado 

Juventude é 
Segredo guardado
Do hímen que rompido
Nunca mais é esquecido

Juventude é
Temer conceder 
Que foi a primeira vez
E acha não ser gravidez

Juventude é
Aula cabulada
Em seção de cinema
Beijando a namorada

Juventude é
Não desconfiar 
Do amigo de jornada
Roubando-lhe a amada

Juventude é
Inveja que o afeta
Por tudo que atesta
No rival que detesta

Juventude é
Covardia frente a leão
Qual matilha de chacal  
Se compartilha assédio imoral

Juventude é
Calvo estéril 
Ainda imberbe
De cabelo fértil

Juventude é
O tempo passado
Que não mais existe
E só serve se lembrado

Juventude é
O lamento
Por não ter feito
O que crê seu direito

Juventude é
Atingir a maturidade
Chegando finalmente
A tempo inconsequente

Juventude é
O distante momento 
De perene esquecimento
Com cérebro em derretimento

Juventude é
Prazer imensurável
Antes do indesejável
Imprevisto fim miserável

Juventude é
Viver entediado
Com coronária hígida
Até o óbito ser atestado 

4 comments

    1. Sylvia.
      Obrigado.
      Falta-me agora escrever sobre senilidade, mas como sou um jovem de apenas 86 anos não tenho ainda um minimo de experiência no assunto; quando tiver, meu cérebro estará derretido e não mais conseguirei produzir qualquer relato digno de mérito. Para os que me leriam será um conforto sem precedentes saber de antemão que foram poupados.

      Eder Quintão

  1. Nossa, que bacana, adorei. Com certeza você não pode escrever sobre senilidade rsrs
    Adorei especialmente o trecho:
    Juventude é
    Aquela ambiguidade
    Que sempre aborrece
    Entre infância e maioridade

    Disse tudo para mim.

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