Este artigo é parte do Clube dos Escritores Blog Clube dos Escritores 50+ LUciano de Castro Obituário

OBITUÁRIO USUAL,
exercício com câmera por Luciano de Castro

Encontraram uma mulher morta
Na esquina da rua 5 com Avenida Goiás
Era morena e estava grávida
De um menino e da vida
Não tinha mais que 20 anos
Seu corpo nu jazia
Desfigurado, roto e crivado de bala
Sobre uma poça de sangue, de esperma, de lágrima e lama.

Goiânia, julho/2022

6 comentários

  1. muito forte, tão poético e TÃO real ao mesmo tempo, uma pequena ilustração do que é ser mulher preta nessa escória de sociedade…

  2. muito forte, tão poético e TÃO real ao mesmo tempo. Uma pequena ilustração do que é ser mulher preta nessa escória de sociedade…

  3. Essa obra, sem dúvida, é de um dos poetas mais fantásticos que Goiânia já viu. Ela me lembra composições de Belchior, como “A Palo Seco”: corta como faca a carne da gente. É a tradução de uma realidade fria, que esconde a vida em si mesma. Tem algo nessa poesia que é inspirado por sentimentos de extraordinária indignação, descontentamento e tristeza com a morte e violência urbana, a qual transforma pessoas em mero lixo nas ruas, algo bem ilustrado em pura criatividade artística pela foto da boneca… expressa, por detrás dela, uma história de transmutação da dor pungente, que teima em se revelar na sensibilidade poética. A voz de um poeta é mais forte quando ele perde alguém que ama. “A minha alucinação é suportar o dia-a-dia,
    E meu delírio é a experiência com coisas reais
    Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha
    Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
    Garotas dentro da noite, revólver: cheira cachorro
    Os humilhados do parque com os seus jornais
    Carneiros, mesa, trabalho, meu corpo que cai do oitavo andar
    E a solidão das pessoas dessas capitais
    A violência da noite, o movimento do tráfego
    Um rapaz delicado e alegre que canta e requebra, é demais
    Cravos, espinhas no rosto, Rock, Hot Dog, “play it cool, Baby”
    Doze Jovens Coloridos, dois Policiais,
    cumprindo o seu (maldito) duro dever, e defendendo o seu amor e nossa vida.
    Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais
    Longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia.
    Amar e mudar as coisas me interessa mais”. (Alucinação)

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