Este artigo é parte do Clube dos Escritores Blog Clube dos Escritores Adília Belotti Organolépticos

Organolépticos,
por Adília Belotti

Me conta

O quê?

Qualquer história louca

Então…

Se fôssemos bichos

Teríamos línguas longas, melosas, um pouco ásperas

E lamberíamos o corpo um do outro

Todas as feridas

Até sobrar só a pele rosa e fresca

E a gente não contaria o tempo

E o tempo não seria perdido

10 comments

  1. 1- Poemas foram feitos para serem lidos ao acordar?

    2- Haikus tem relação com telegramas, não? [ou, por outra, será que alguns telegramas de antigamente faziam poesia sem perceber?]

    3- os dois últimos versos são excepcionais.

    4- bichos têm um saber que se ausenta das produções do cérebro, não?

  2. Que maravilha se o outro pudesse conhecer nossas histórias (e também estórias) pelas cicatrizes do corpo. Tocando, lambendo, beijando, curando e, talvez, infelizmente, também provocando. Seria gostoso comer uma naco de crosta da infância do outro? Que sabor teria? E ao comê-la, faríamos então parte dela? E aliviaríamos seus traumas, deixando a pele lisa e confortável?
    Belo poema… intrigante.
    Parabéns.

    1. Paulo, seu comentário vai muito além do poema, ousa ainda mais. Você como verdadeiro poeta talvez possa chegar onde eu não consegui. Somos antropofágicos afinal?

  3. adilia,

    ….E a gente não contaria o tempo
    ….E o tempo não seria perdido
    – tao tempo acontecendo! lembrarei sempre!

    a imagem do paulo, a sua e os organolépticos(?), sylvia e sergio …
    apesar da estranheza e sua coragem, diria que o tempo nao perdido seria morder um naco da infância do outro ( ou da gente mesmo, lambendo suas feridas (ou as nossas mesmo!).

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