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Pontuações de vida perversa ou pontuações perversas de vida? por Eder Quintão

Em versos dúbios inesperados

Meus atos deveras indecentes

-Entre travessões censurados-

Vão aqui expostos inclementes

Nenhuma vírgula se intrometa,

No curso descrito de minha vida

Nem indague qual a pior treta

Que sendo minha foi omitida

Naqueles tempos tomentosos

Em ponto e vírgula interrompidos;

Os momentos mais escabrosos;

Foram acentuados e mal vividos

Impunemente tão degustados

Como incontidas indecências

São atos tresloucados passados

Antecipados às reticências…

Infestada de perversões repetidas

Pior (entre parênteses guardadas)   

Sejam essas memórias reprimidas

Tão cruel tê-las ressuscitadas

Num cofre repleto de insolências

Guardo a chaves entre “colchetes”

Todas impudicas incontinências

Ferroando-me como alfinetes

Haja exclamações pelos ardis

Que foram por mim escondidos!

Escamoteando pecados tão vis

Dentre os inúmeros cometidos!

Tristes e piores momentos

Para todo sempre perdidos

Como olvidados mementos

Entre aspas “recolhidos”

Segue ponto de interrogação  

Depois de dois pontos apenas:

Ao céu ou ao inferno partirão

Arrependidos ou com penas?

Restam todas desditas

Em pontuações por igual

Ao pó então convertidas

Antes do ponto final.

3 comentários

  1. Que inspiradíssima ideia poética, Éder. Achei essa parte especialmente genial: “Num cofre repleto de insolências
    Guardo a chaves entre “colchetes”
    Todas impudicas incontinências
    Ferroando-me como alfinetes”

  2. Caro Luciano: disse Pablo Neruda em sua autobiografia que a fama de sua poesia era devida apenas a seus tradutores, o que me leva a acrescentar que seu comentário amigo e condescendente sobre essa poesiazinha despretensiosa contribui para salvá-la do completo esquecimento.

  3. Caro Eder
    Gostei muito de seu poema abrigando e criando lindas imagens com e sobre a pontuação. Por uma estranha coincidência também andei refletindo sobre “questões pontuais” e fiz uma pequena crônica a respeito.
    Há sintonias no ar…

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