Este artigo é parte do Clube dos Escritores Clemari Marques Porcos cor de rosa Clube dos Escritores de 50+

Porcos cor de rosa
por Clemari Marques

Hoje vi um caminhão, cheio de porcos cor-de-rosa.
Não!
Não tinha consumido nenhum tipo de droga alucinógena.
Estava simplesmente voltando da aula. Cheia de ideias loucas na cabeça, é verdade, mas aqueles porcos rosados eram bem reais.
Nada dos bichos sujos e fedorentos com botas de estrume a cobrir-lhes os pés; aqueles animais que os homens chamam de porcos (ou os homens chamam outros homens sujos e fedorentos, de porcos?).
Estes porcos eram o oposto; cor-de-rosa, claros limpos… pareciam cheirar a talco de bebê.
E fiquei encantada olhando os bichinhos, qual aparecem e, histórias infantis. Só que nesta história, estavam apertadinhos, amontoados na carroceria de um caminhão. Certamente era o caminhão do Lobo Mau e tudo levava a crer que aquela era sua última viagem.
Triste vida desses animais…
De repente me dei conta de que estava ali parada há muito tempo divagando e ninguém buzinou nem me xingou… em plena . Estranhei… O que teria acontecido?
Voltando para o mundo real, notei que havia se formado um enorme congestionamento, no sentido mais congestionado da palavra.
Os carros estavam grudados uns atrás dos outros sem ter como fugir. Ninguém saía do lugar. Não havia espaço alternativo.
Era como se, de repente, tivesse chegado o dia em que havia mais carros do que caminhos e a humanidade tivesse sido forçada a parar onde estava… e na tentativa de se movimentar, os homens foram se apertando uns aos outros tornando a existência sufocante.
Acabou o espaço da Terra.
Acabou a liberdade do homem. E todas as suas possibilidades.
E os porquinhos à minha frente, pareciam já não se sentir tão apertados no caminhão.
Parece até que sorriam.

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