Este artigo é parte do Clube dos Escritores

O viajante,
por Sylvia Loeb

Sempre me entreguei ao sono, seduzida, uma força irresistível que apagava o meu mundo.

Jamais me perguntei para onde ele me levaria ou se me traria de volta.

Agora, diante de uma anestesia, me dou conta da confiança inconsequente que tinha em relação ao sono.

Por que nunca me ocorreu que ele poderia me pregar uma peça? De onde a certeza de que horas depois seria a mesma de horas antes? Espanto diante das inúmeras possibilidades.

Neste momento em que me levam na maca, sei que em alguns minutos serei apagada. Será que volto? Serei a mesma? Uma viagem ao fim do mundo…

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Voltei! Tudo indica que sou a mesma. Braços, pés, nenhum estranhamento.

Supersônica a viagem para o fim do mundo. Um segundo entre a decolagem e a aterrisagem. Estranho lugar: sem som, sem luz, sem imagens,sem odor, dor ou pensamento. Assim deve ser a morte. Nada mal.
Repentinamente uma voz me trouxe de volta, – Acabou!

Abri os olhos, uma aparição: dois olhos emoldurados de turquesa e prata, a Diana, que, qual Sherazade, começou a me contar histórias de outros mundos.

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